No começo, vinha todo dia. Forte, apertando, machucando, quase dilacerando. Bem mais tarde, diminuiu. Era só uma dorzinha. Acreditem ou não, falta do bom doi tanto quanto a presença do ruim. E vocês eram a melhor combinação de todas: a presença boa.
Hoje não sei explicar. Ainda amo, ainda quero vocês aqui. Mas a gente cansa. Ficou chato correr atrás de Beu - e tenho certeza que digo isso não só em meu nome. Se doía? Ô, quase de matar. Em mim, na minha mãe, nas outras. Mas fui crescendo e parando de olhar pro que me faltava, começando a tentar manter o que tinha e amar tudo isto. Tinha as notícias pelas redes sociais e para cada, uma comemoração em casa: "Mãe, Beu tá trabalhado!", "Mãe, Beu vai ser tia!" e a mais comemorada (acho que vi uma lagriminha nos olhos de mamis), "Mãe, Beu tá na faculdade!". Deste modo sentimos participar, mesmo que indiretamente.
Uma das melhores coisas que vi ao meu redor: a amizade de Klô. Um esforço gigantesco, o que fizemos para manter o mesmo amor, a mesma cumplicidade, a mesma vontade de estar perto. Conversas e mais conversas no msn, não é, dona Klô? Só que msn é muito ruim pra quem estava acostumado a se ver todo dia, então começamos a trocar e-mails gigantes para contar as novidades. Também não deu certo, desta vez por minha causa, devo confessar. Essa coisa de e-mail é menos a minha praia do que eu poderia imaginar! Foi então que começou o sacrifício da parte dela: foi na faculdade fazer inscrição de disciplinas comigo, me visitava quando ainda estava no Barreto, fez a doideira de vir me visitar no Recreio três vezes. Passeios em Botafogo (mas aquilo lá foi sacrifício?). Viram meu post emocionado sobre nós duas no show do Paul McCartney? Não aconteceria se ela não tivesse me emprestado o dinheiro do ingresso, tirado de suas economias. Nesta situação econômica péssima em que estamos em casa, faz quase um ano e ainda não pagamos. E ela, esperando.
Egoísta como sempre fui, com alguma dificuldade também comecei a fazer concessões. Casa de Emily para um churrasco da "turma" que tinha mais ou menos umas dez pessoas da turma e só nós duas do grupo. São Gonçalo é longe do Recreio, apreciem o esforço! Depois, a segunda e mais especial: fui na UERJ fazer com ela sua pré-matrícula, coisa que a gente esperava há tanto tempo. Tenho orgulho de poder dizer que foi ideia minha, mesmo com o deslocamento. Eu queria estar lá quando ela saísse daquele prédio como universitária, assim como ela esteve comigo quando me tornei oficialmente uma caloura de Psicologia. Por fim, a mais divertida e inesperada: dormi na casa dela, o que nunca pensei que faria depois da minha mudança.
Não, esta passagem toda não foi um mimimi para mostrar o quanto somos amigas melhores que as outras e que nos amamos mais e temos mais interesse em manter contato. Acredito mais que tenha sido uma consciência mútua de que saudade é uma coisa que doi, mas fundamental para manter o vínculo. Somos amigas enquanto sentimos saudades, é passar por isto que nos faz querer voltar a estar lado a lado.
Voltando para as outras lindas. Allyne, minha Allyne. Sempre louca. Do nada, a gente ouve dizer que está estudando em Pernambuco! Mas com Allyne é diferente. Ela vem atrás no msn, já até me ligou de lá! Não sei quanto a vocês, mas tenho a sensação de que posso só voltar a vê-la daqui a quatro anos, que continuará sendo a mesma coisa! Sabemos que ela tem uma...hum..."rigidez cognitiva" (teimosa!) muito grande, mas esta constância se provou uma boa coisa para a nossa amizade. Se Allyne gosta de você hoje, vai gostar daqui a cinco anos.
Dade, nossa princesinha. Não sei nem o que dizer. A gente vai atrás dizendo "Saudades!" e ela volta com um "Eu te amo". Mesmo com seus horários loucos, sei que no momento em que marcarmos algo certo, ela vai aparecer. Tem uma coisa nossa da qual você nem deve se lembrar, mas que me dá muito orgulho. Quando você estava tentando bolsa na faculdade, vinha me contar disto e eu lhe dava força e desejava sorte. Depois começou a estudar, estava um pouco assustada com aquele mundo novo e suas pessoas diversas, e veio falar comigo novamente. Não sei se ajudei ou não, mas foi muito importante para mim sentir sua confiança para contar sobre coisas que a afligiam tanto mesmo sem nos vermos há anos.
Tatá, meu pai do céu que não existe (contei que me assumi atéia? Ih...), quantas saudades! Não vou falar nada sobre a vida que eu acredito que ela esteja levando porque não tenho nada a ver com isso e ela nada me disse, então tudo o que posso dizer é que Klô ligou para ela quando estava aqui em casa e ela era a mesma de sempre. Gritalhona, receptiva, carinhosa, um amor. Creem que fiquei tímida ao falar com ela? Não sabia nem o que abordar. Mas ela estava ali, era tudo o que me importava. E eu a amo.
Comecei falando sobre e sentindo saudades, mas escrevendo tudo isto senti-as próximas como não sentia há muito tempo! Talvez porque pela primeira vez falei sobre o que temos agora, não sobre como era lindo e maravilhoso, mas acabou. A parte ruim de termos feito questão de viver tão intensamente nossa infância foi não termos em comum agora nenhuma atividade "de adulto" que nos ligue, entretanto o fato de a convivência com vocês fazer parte tão fortemente do que sou agora faz tudo valer a pena. Mesmo que dentro deste "tudo" esteja essa saudade que hoje aproximou, mas faz doer.




